Se o conhecimento é elemento determinante do desempenho econômico atual é natural que busquemos resposta a uma pergunta aparentemente simples: qual é o valor da informação?
Nos últimos anos testemunhamos a ascensão e a queda da chamada nova economia. Apesar do fato de que ainda levará algum tempo para efetivamente compreendermos o que aconteceu nesse período, a nova economia deixou alguns resultados perenes, dentre os quais a forte (e crescente) influência da tecnologia da informação nas organizações e a convicção de que, na atual conjuntura econômica, elementos intangíveis são determinantes para o desempenho empresarial.
Apesar de toda a euforia, não foi criado um conjunto coerente de idéias e conceitos, em parte devido à pouca reflexão em torno do tema (reflexão real, não meras declarações de otimismo) e em parte devido ao fato da tal nova economia praticamente ser igualada à ascensão da tecnologia da informação. Os economistas Karl Shapiro e Hal Varian ajudaram a formar um conjunto muito mais coerente de idéias, ao definir a economia da informação - que elementos da ciência econômica realmente têm importância quando estamos avaliando a criação de bens da informação. No entanto, acreditamos que uma outra abordagem é crítica para a compreensão do atual cenário econômico - a Economia do Conhecimento. Diferentemente da nova economia, de nascimento recente, a Economia do Conhecimento tem tomado forma há bastante tempo; a Terceira Onda de Alvin Toffler, há mais de dez anos trazia os elementos cruciais da Economia do Conhecimento - basicamente, o fato de que a informação e o conhecimento são elementos cada vez mais importantes dentro do contexto de qualquer empresa, e passam a responder por uma parcela crescente da riqueza econômica gerada por um país. Segundo Toffler, esta Economia do Conhecimento é a substituta da Economia Industrial. Nesse contexto, é absolutamente natural que o processo seja conturbado e marcado por grandes mudanças, exatamente o cenário que ainda estamos vivenciando.
Ora, se a informação e o conhecimento passam a ser elementos crescentemente determinantes do desempenho econômico (seja de uma nação ou de uma empresa), é natural que busquemos resposta a uma pergunta aparentemente simples: qual é o valor da informação? Quanto vale o banco de dados de uma empresa a respeito dos hábitos de consumo de seus clientes? Como determinar o valor de rastrear cada movimento de seus clientes no mundo online?
Definir objetivamente o valor da informação é uma tarefa ingrata por uma razão simples: ela vale exatamente o que você obtém dela. Isso quer dizer que a informação não tem nenhum valor intrínseco; pelo contrário, só obtenho valor desta informação à medida que a uso com alguma finalidade, à medida que gero algum resultado a partir do seu uso. Esta não é uma afirmação nova, tendo sido colocada, apenas para citar um exemplo, por James McGee e Thomas Prusak, e, além disso, depois de enunciada, soa de uma obviedade atroz. Porém, vemos a todo momento ações que destoam desta simples idéia, o que nos leva a crer que, apesar de sua simplicidade, está sendo sistematicamente ignorada.
Antes de mais nada, precisamos avaliar como a própria informação é tratada. A ascensão da nova economia teve o efeito perverso de ofuscar esta conclusão tão simples, chamando todas as atenções para o espetacular desenvolvimento que ocorria na tecnologia. McGee e Prusak fornecem um "guia" muito consistente ao definir a necessidade de gerenciar estrategicamente a informação, reconhecendo seu papel crucial dentro das organizações e dispensando à informação a atenção necessária, independentemente das considerações a ser feitas em relação à tecnologia adequada para atingir os objetivos relacionados à informação.
A informação desempenha um papel fundamental na inovação e na estruturação de cadeias de valor. Após um certo "abandono" do trabalho desenvolvido pelo economista Joseph Schumpeter, que identificou na inovação o principal motor do desenvolvimento de uma economia (sob a forma da "destruição criativa"), suas proposições voltaram a gozar de grande respeito. A inovação é saudada como um dos principais elementos no estabelecimento de uma vantagem competitiva sustentável - seja uma inovação de produto, serviço, na cadeia de suprimentos, no modelo de negócio.
É possível perceber que, para alavancar o potencial de inovação de uma empresa e sua capacidade de obter valor das informações, será crucial estabelecer uma nova forma de lidar com a informação e de trabalhar sua arquitetura. A maneira como a tecnologia da informação é desenvolvida terá que ser reavaliada para suportar este papel, uma vez que há grande espaço para impulsionar os resultados gerados pela TI. Naturalmente, as empresas que reconhecerem a urgência disto são as mais propensas a obter uma vantagem competitiva significativa e sustentável.
Originalmente publicado na InformationWeek Brasil, edição Business Innovation, de 05 de dezembro de 2001.
Eduardo C. F. Longo
Economista, pós-graduado em TI e Gestão de Projetos, com substancial experiência em Gestão de Projetos e Portfolios de Projetos, Planejamento Estratégico e Gerenciamento de Riscos. Atualmente é consultor independente, palestrista e instrutor.
