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Eduardo Longo

Eduardo Longo


O Elo Perdido da TI

A atenção das empresas continua sobre a tecnologia em si, ignorando o fato de que não é a TI, mas sim o uso da informação, o elemento realmente capaz de gerar valor

 

A proposição de que estamos vivendo numa Economia do Conhecimento tornou-se amplamente aceita. Nesse ambiente, em que a importância do conhecimento dentro da economia e das empresas é reconhecida, uma correção de rumo será capaz de alavancar significativamente os resultados gerados pela tecnologia da informação. Primeiramente precisamos pensar no valor da informação. A interpretação mais adequada é não atribuir nenhum valor intrínseco à informação, sendo este valor criado no momento em que a utilizo para algum fim. A grande vantagem deste enfoque é mantermos a atenção sobre o processo de uso da informação, e não sobre a informação em si (procuro ver o fluxo, e não o estoque).

É preciso também diferenciar dois conceitos: informação e conhecimento. A informação trata de um conjunto de dados interrelacionados, enquanto o conhecimento diz respeito à contextualização de informações, além de estar relacionado a uma ação. O processo de criação de valor depende crucialmente da criação de conhecimento. Ou seja, da capacidade de usar as informações para definir rumos e ações; também é evidente a ligação entre a criação de conhecimento e a inovação, uma grande fonte de vantagem competitiva no atual ambiente econômico. É fácil perceber que a criação de conhecimento depende intrinsecamente de dois elementos: os processos ligados à informação e as pessoas que participam destes processos.

Portanto, os principais elementos envolvidos na geração de valor a partir das informações detidas por uma empresa não tem relação direta com a TI esta serve “apenas” como ferramenta para viabilizar os processos necessários. Entretanto, praticamente toda a atenção das empresas continua sobre a tecnologia em si, ignorando o fato de que não é a TI, mas sim o uso da informação o ponto-chave do processo, o elemento realmente capaz de gerar valor. A arquitetura da informação vem sendo tratada como um aspecto meramente técnico, quando se trata de um conjunto de atividades relacionadas às pessoas e ao negócio. Nesse cenário não é de causar surpresa os investimentos em tecnologia da informação gerarem resultados muito aquém do que seria possível, desapontando e motivando a busca de um maior retorno sobre o investimento.

Eis aí o Elo Perdido da TI: a falta de suporte aos processos ligados à criação de conhecimento limita o potencial retorno destes investimentos, devido à ênfase excessiva em aspectos técnicos e ferramentas em detrimento dos elementos que realmente são potenciais geradores de valor: o uso da informação e as pessoas envolvidas no processo. O conceito que envolve a gestão do conhecimento poderia ser apontada como a solução para estas limitações. Porém, a GC também está dando ênfase excessiva a métricas e ferramentas para a implementação de “soluções” de GC, focando a “captura” de conhecimento e não o estímulo à sua criação. Assim, não devemos ficar surpresos com a dificuldade encontrada para implantar estas “soluções”.

Para equacionarmos o Elo Perdido da TI precisamos focar o que hoje fica em segundo plano: a geração de valor a partir da criação de conhecimento, que depende da forma como a informação é usada. Tomando os processos de Aquisição, Tratamento, Distribuição, Interpretação e Utilização da informação, podemos notar que a TI tem focado os 3 primeiros; os 2 últimos são parcamente considerados, e são exatamente os mais próximos das pessoas, quando transponho a barreira que existe entre a informação e a geração de valor.

Uma proposta para mudar este paradigma é a Contextualização Dinâmica Personalizada (CDP). A CDP envolve colocar a TI como uma ferramenta que visa facilitar o trabalho humano de absorver, interpretar e utilizar a informação, focando exatamente os processos “ignorados” hoje. A CDP busca facilitar o processo de criação de conhecimento criando uma imagem em 360 graus da informação, dentro da maneira de cada usuário trabalhar e analisar a informação. Ao invés de aprimorar os mecanismos de busca, é fundamental criar um contínuo processo de contextualização dinâmica, que faz com que, a cada momento, a informação não se torne facilmente acessível, mas sim suficientemente próxima para ser imediatamente usada. Além disso, os novos sistemas de conhecimento devem estimular a comunicação entre pessoas que estão analisando as mesmas questões; ou seja, além do aspecto dinâmico de identificar como as informações estão relacionadas, será possível pôr em contato as pessoas que estão estudando questões relacionadas. A necessidade de personalização surge porque o conhecimento está indissoluvelmente ligado à pessoa, tornando necessário adaptar a mesma informação aos diferentes estilos de interação com a informação.


Originalmente publicado na InformationWeek Brasil, edição Business Innovation, de 04 de julho de 2002.

Eduardo C. F. Longo

Economista,  pós-graduado em TI e Gestão de Projetos, com substancial experiência em Gestão de Projetos e Portfolios de Projetos, Planejamento Estratégico e Gerenciamento de Riscos. Atualmente é consultor independente, palestrista e instrutor.
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